quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os direitos e deveres virtuais.



            A internet e a Constituição Federal são criações do homem. Ambas cuidadosamente pensadas por mentes geniais de seus respectivos tempos e que tiveram sua finalidade corrompida por seu próprio criador. A primeira, por expor todo seu acervo de informação de forma fácil e prática, caiu na popularidade. A segunda, por sua vez, complexa e de várias interpretações, transformou-se em uma arma na mão de pessoas que deveriam usá-la como escudo para defender as leis.

            Nos últimos anos, os principais meios de comunicação publicaram casos onde aspirantes de advogados publicaram em suas páginas da rede social comentários ofensivos e discriminatórios. E como a internet é terra de ninguém, o julgamento acaba entrando na corte de pessoas que baseiam-se na luz do achismo, complicando ainda mais o entendimento do processo.

      Liberdade de expressão ou violação dos direitos e garantias fundamentais? O direito de um, na internet, ainda segue o princípio básico de extinguir-se quando começar o do outro? Todos os dias, milhares de fotos íntimas são furtadas de equipamentos eletrônicos e caem na rede a disposição de uma infinidade de usuários. Achar o autor do crime, na grande maioria das vezes é impossível. A não ser que as fotos tenham sido retiradas do computador pessoal de Carolina Dickman, que, neste caso, a Justiça desprende forças ocultas para encontrar o criminoso virtual e aplicar-lhe a lei do código penal do artigo 155, que diz que subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel terá pena de reclusão de um a quatro anos, e multa. 

            A internet ganhara proporções maiores que sua finalidade original, isso é fato. Acompanhar sua velocidade de crescimento e suas várias formas de utilização, é algo quase que impossível para a esfera legislativa. Todavia, há de entender-se que onde já existe o congestionamento no julgamento de casos reais, existiria a paralisação total se fosse necessário julgar também os casos virtuais.  

            O Código Penal brasileiro está sendo reinventado pelos legisladores para acompanhar a criatividade da ilicitude, que reinventa-se a cada dia. Porém, como a internet e as redes sociais são temas de estudo em todo o mundo, deveriam também ser tema de ensino nas escolas e faculdades para educar na base da educação um comportamento ideal diante de um mundo onde fronteiras são exploradas a todo momento. A lei da palmada foi instituída porque entende-se que existindo a educação não será necessário a punição.

Douglas Valério

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fim de ano. Muitas aventuras e confusões.

Quem seria o louco varrido que levantaria a mão pra pergunta: Quem não gosta de final de ano? Se a gente já fica todo empolgadinho quando vai dando 17:50 na sexta-feira por que está acabando a semana, imagina quando chega dezembro e está acabando o ano.

Finalmente podemos nos livrar daquelas promessas de que esse ano eu vou estudar mais, esse ano eu vou emagrecer 10kg, esse ano eu não vou matar ninguém, enfim, parece que fim de ano todo mundo ganha um prêmio por ter suportado tudo que aconteceu nos 365 dias passados.

Na frente da TV, sentados todos no sofá, a família brasileira relembra de tudo que aconteceu no ano inteiro. Um bandido assaltou uma loja e matou 3 pessoas, 20 casas foram soterradas, lá no Rio de Janeiro mais um morro foi pacificado.

Sinceramente gostaria de ver nessas retrospectivas que o bandido foi solto por que em nossa constituição tem algum parágrafo de algum artigo que defende o direito de matar. Gostaria de ver também que as casas foram soterradas por que lá em Brasília alguém colocou na cueca o dinheiro para o asfaltamento do local. E o que é pra mim a maior piada do ano, mais um morro foi pacificado. Por que só agora? Por que a retrospectiva não mostra por que esperamos tantos assassinatos com o tráfico de drogas para só agora alguém dizer chega?

Fim de ano é mesmo uma mistura de aventuras e confusões. Realmente merecemos essas festas. Mais como gratificação por sobreviver em estradas mal pavimentadas e por trabalhar todos os dias por um salário mínimo que mais parece uma piada.

Que venha o Papai Noel e me traga de presente uma aspirina gigante para suportar um 2012 com mais furos de capas de jornal e ver na retrospectiva de fim de ano algo que mais parece uma reprise da do ano passado.

Boas festas a todos.


Douglas Valério

Redator Publicitário

@DogValerio

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eu falei comigo.

Dês do dia em que escrevi meu primeiro artigo, me dedico aleatoriamente a esta forma de expressão tão complexa e também tão completa. Hoje já possuo um acervo com diferentes temas: A impunidade do governo, pessoas, vida e também contos inventados de minha terra natal chamada criatividade. Acho que a única proposta que não tive oportunidade de falar é sobre mim mesmo.
A quem me conhece, poderia descrever-me em poucas palavras. Um cara simples, que vê a vida de forma simples e que procura sempre ter enxergar o copo meio cheio. Basicamente seria isso. Mas isso, seria uma pessoa falando sobre a minha pessoa. E eu? O que eu diria sobre eu mesmo?
Na noite de segunda-feira, 03 de outubro, data de meu aniversário, após algumas taças de vinho de algum lugar qualquer, pude ter uma conversa franca comigo mesmo. Sabe o que eu me disse? Que eu consegui enganar a todos. Que fui decepção para muitas pessoas e que meu país tinha vergonha de mim. Após escutar estas palavras da boca da única pessoa que eu sabia que nunca mentiria para mim, terminei o último gole do vinho e me levantei da cadeira sorrindo orgulhoso.
Durante toda a minha vida, estudei em escolas que me obrigavam a pensar igual a todos. E durante todo o ano letivo, eu consegui enganar a esses tolos que me passaram de ano simplesmente por que no final eu abria um livro e decorava as palavras que nele continham. A estes eu enganei.
Muita gente queria que eu passasse em uma universidade federal, fizesse administração e acordasse cedo todos os dias de minha vida. Entrei em uma faculdade particular, que não precisa se humilhar para o Governo para ter recursos de uma boa educação. Ingressei no curso de Publicidade e Propaganda, que foi o que eu sempre quis e tenho preguiça a cada manhã que acordo com o estridente barulho de meu celular. A estes eu decepcionei.
Meu país queria colocar-me uma gravata, um sapato e um sorriso. Fui embora e voltei com um braço tatuado, uma camiseta rasgada e os dentes cerrados de raiva por ter que sobreviver em um país corrupto que prefere guardar o dinheiro em paraísos fiscais do que investir na própria terra. A este eu envergonhei.
E quando gritaram em meus ouvidos que o meu jeito não me levaria muito longe. E a estes eu também eu consegui calar sem precisar dizer uma só palavra.

Douglas Valério
Redator Publicitário

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ele chegou com toda a sua cabeça.

Queridos leitores, hoje, sexta-feira dia 23 de setembro de 2011 meu irmão mais novo, Nikolas Soares Valério, completa seus 24 anos de vida. Amado por todos e odiado por mim toda vez que ele deixa um copo largado no meio da sala enquanto termina mais um jogo no seu vide-game, eu dedico este artigo a essa pessoa tão especial que todos conhecem pelo pseudônimo “cabeça”.

Pensei antes de mais nada, escrever sobre o Nikolas, filho, irmão, namorado. Mas este é uma pessoa muito pop, todos o conhecem. Baladeiro, dono de várias fotos curtidas em sua rede social. Hoje eu vou falar é realmente do Nikolas cabeça, aquele que poucos tiveram a oportunidade de conhecer, e que graças a Deus eu pude ser um destas privilegiadas pessoas.

Verdade seja dita, ele tem o apelido que merece. Não pelo significado literal da palavra, mas pelas atitudes que ele tomou em toda sua vida. Responsável, ético acima de qualquer coisa, não bebe, não fuma e sua única droga é a superação. Nasceu pequeno e magrinho, do tipo que ninguém ia prestar muita atenção, mas como nas histórias do patinho feio, cresceu, apareceu e brilhou.

Hoje apenas colhe os frutos de um trabalho que começou há 24 anos atrás. Como já disse, ele nasceu pequeno e magrinho, mas com uma força que deixou só na primeira tacada, milhões de concorrentes pra trás. E quando éramos três, o magrinho era o mais invocado dentro da “República dos Largados”. No meio da madruga, levantava furioso enfrentando sem pestanejar os 2 metros do irmão baiano com a desculpa de que a música que tocava no volume dois do fone de ouvido não o deixava dormir. É, ele é muito invocado.

Um outro ponto que vale a pena ressaltar é seu brilho. Ao contrário das oportunidades que eu tive em minha vida, ele nunca pisou em uma passarela e nunca foi foco do flash das câmeras fotográficas, mas até isso em sua vida teve um propósito, ele nunca precisou. Sua luz nasceu junto com ele. Fraquinha no começo admito, mas hoje chega cegar se olhar com muita atenção.

Como gosto de falar, “ele é o cara”. Extremamente inteligente isso eu posso dizer de carteirinha, porque enquanto eu curtia meus castigos pela recuperação no colégio, ele curtia suas férias pelas excelentes notas. E que inclusive deixou um histórico com média acima em todas as matérias passou e mais acima ainda no coração de qualquer pessoa que o conheceu como eu o conheço.

Hoje, completando mais um ano de vida, desejo a ele um feliz aniversário, muita paz, muita saúde e muita farra, por que ninguém é de ferro. Estes são os meus votos ao meu irmão Nikolas, e também ao meu grande e melhor amigo que chegou ao mundo com toda sua alegria, com toda a sua responsabilidade e também com toda a sua cabeça.

Douglas Valério

Redator Publicitário

@DogValerio

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Imagem e Semelhança

Às vezes acho inacreditável sermos considerados a imagem e semelhança de Deus. Uma terra infestada de ratos a serem dominadas por porcos. Gente tão mesquinha, tão miserável que não se tornam a imagem e semelhança de nada a não ser a própria depressão.

Morte e violência tornaram-se o playground de lunáticos e sociopatas de todas as partes. E não posso mentir, acho tudo isso muito divertido. Pessoas que funcionam de formas aleatórias, incapazes de criar e totalmente dispostas a destruir. E isso me parece tão inteligente quanto as piadas de domingo do Faustão.

“Meu Deus é maior”, dizem segurando no ombro um rifle capas de deixar um buraco maior que a dúvida de meus pensamentos. Nessa guerra divina, os deuses nos devem ver como participantes de reality show. Presos em um mundinho e prontos a nos matar por 15 minutos de fama. É incrível a forma que entregamos Nobels a macacos.

Vejo o fim. Percebo as mudanças acontecendo. Toda vez que uma onda gigante atinge as costas litorâneas do Japão ou algum terremoto faz tremer o confortável quartinho das crianças. Quando os reatores nuclear explodem e uma nação fica doente com as armas que criaram para melhorar suas vidas. A cada vez que me deparo com essa situação, vejo os pensamentos no mundo tornarem-se coletivos. Pessoas dispostas a prestar condolências brotam dos lugares mais longínquos da terra.

Deus, se nos fizestes sua imagem e semelhança, por que minha percepção de amor é limitada apenas na desgraça. Será esse o plano? Por que apenas no fundo do abismo entendemos de amor?

Uma arma, uma bala, uma taça de vinho e muito assunto para conversar.


Douglas Valério
Redator Publicitário
@DogValerio


terça-feira, 23 de agosto de 2011

1 min

7.20 – Alô!?! Bom dia. Ahhh. Arram, acabei de acordar. Vou tomar banho e já saiu. Beijinho, eu também.

7.33 – Oi!?! Sim, to saindo de casa. Dentro de 10min eu passo aí! Ok, não vou demorar. Beijo, tchauzim.

7.45 – Bom dia! Desculpe a demora, culpa do trânsito.

7.55 – Bom trabalho meu bem, beijo te amo! Tá bom amor, depois a gente fala sobre isso, eu to atrasado. Não benzinho, eu não to bravo, eu to atrasado. Tá bom, depois a gente se fala. Ok, beijo, tchauzim.

8.05 – Bom dia, bom dia! Fala galera, firmesa? Aí Marcão! E aquele timinho seu hem? Que vergonha hem cara? Em pleno final de campeonato Marcão? Que vergonha hem! Ahhh... tá bom, bom dia pra você também. Não sabe brinca não brinca viu, apelou perdeu!

9.00 - Cadê aquele e-mail? Será que aquele estagiário mexeu aqui de novo? Ah beleza, achei.

10.00 - Opa, me passa o açúcar. Nossa, iai Fernandinha, tudo bom? Quês bons ventos lhe trazem aqui no departamento? Aí ó, vamos marcar aquele chopp qualquer dia ok?! Tá certo. hehehe. Tchau tchau, bom trabalho.

11.59 - Anda vai, passa logo. Eu estou com fome pô!

12.00 - Beleza! Então pessoal, vão comer aonde? Vamos lá no Português ?!? Ok, encontro com vocês lá.

12.09 - Droga, tinha que fechar o sinal logo agora? Oi? Não, não, não tenho moeda não. Como é que é? Perai, perai rapaz, não atira não! É seu, é seu, pode levar...

12.10 -


Falta 1 minuto para sua vida mudar. Aproveite.

Douglas Valério
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@DogValério

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu quero comprar. O que não interessa.

Quero gastar, torrar, queimar todo o meu rico dinheirinho. Sem compromisso e responsabilidade, quero ter todo e qualquer objeto que seja de um uso tão específico, que suas funções apenas me serão úteis em um único momento de toda a minha vida. Mas por que queremos comprar tanto de tudo? De onde vem essa sede de capitalismo sabor coca-cola que só acaba quando a boca do bolso consegue comer todo o dinheiro?

Gastar. Acho que este é o único prazer que consegue se igualar a um orgasmo. A doce sensação de ter aquilo que os outros tem. Ou de ser o primeiro a possuir aquilo que muitos ainda não tem. Esse é o pecado (ou pelo menos deveria ser) de gastar.

Depois da queda do lucrativo mercado da guerra, com seus consumidores morrendo com os próprios produtos o mundo reinventou as batalhas. No século XXI quem entra na briga são as marcas. Os soldados tornaram-se consumidores, a publicidade e o marketing são balas de calibre e precisão mortal, e as armas são os Cheques, Cartões de Crédito, Empréstimos, Parcelamento, prazos etc.

Como é difícil resistir às armadilhas da promoção. Juros camuflados em descontos e uma tropa de elite de vendas treinada para ludibriar suas necessidades e entrar para a sua lista de desejos. Até os hippies que antes faziam passeatas de paz nas ruas, agora andam nas passarelas das maiores marcas de roupas. Para ser bicho-grilo na era high tech, é necessário colocar a mão no bolso.

Mas como diz o velho ditado: “Em guerra de cego, quem tem olho é rei”. E a pergunta que não quer calar é: Por quanto o rei está disposto a vender o seu olho? Por que é claro que todo mundo tem um preço. O que falta saber é qual o número de parcelas. Tem gente que se vende em 20 vezes no cheque especial para pagar um celular. Outros se vendem com as faturas mínimas do cartão de crédito. E você? Qual é o seu valor?

Dougla$ Valério
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@DogValerio